lugares e sensações

segunda-feira, março 12, 2007

Caminho Santiago

Ponte Lima -Rubiães

Era uma manhã cinzenta.
Céu cinzento

Desde há alguns dias as previsões eram de chuva forte. Parte do grupo adiou a caminhada por receio da tempestade.
Caminhar na chuva

Os compromissos posteriores levaram-nos a manter a data inicial.
Quando começamos a caminhar a chuva começou a cair a cântaros...Os caminhos pareciam riachos. Várias vezes tivemos que caminhar nos campos, fora do caminho, e o Gore-tex das botas provou então ser eficaz.
Mas a chuva limpa o ar e trás-nos o cheiro da terra que nos lembra a infância na aldeia.
Travessia radical sobre o rio labruja

Esta etapa é talvez a mais dura de todo o caminho para a maioria dos peregrinos.

No entanto o facto de levarmos algumas crianças que não costumavam ir connosco e portanto irmos mais devagar associado ao facto de ser outono, altura de vindimas, colhermos uvas aqui e ali, tornou-o numa das etapas mais agradáveis.
As vindimas e a simpatia dos minhotos...
Caminhar, algo de se aprende a gostar...

A chuva foi apenas um encontro com a natureza.

Perceber o mundo com todo o tempo do mundo...

Depois de passar o cimo da Serra da Labruja, o ponto mais alto do Caminho, o caminho é mais suave até à igreja de Rubiães.
Cruz dos mortos. Colocar uma pedra é o que fazem os peregrinos. Terá sido aqui que franceses durante a invasão terão sido perseguidos pelos camponeses da zona.
Igreja românica de Rubiães séc. XII

Igreja de Rubiães

Pórtico da igreja de Rubiães

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sábado, fevereiro 24, 2007

Caminho de Santiago Balugães-Ponte Lima
O Caminho de Santiago foi um motor impulsionador do desenvolvimento de Portugal nos seus primórdios. A língua que falamos e que o Rei D. Dinis oficializou como língua deste pedaço de terra desenvolveu-se e as cidades cresceram nasceram e cresceram ao longo do Caminho.


O Caminho também se faz conversando...

A etapa que se segue é ainda no Minho. A paisagem verde rodeia-nos. Os caminhos de terra batida entram nas aldeias, passam às portas das casas onde somos tratados com bons velhos vizinhos.

Ainda na frescura da manhã.

Esta etapa tem cerca de 18 km. Inicia-se em Balugães após um saboroso café, no mesmo onde vimos a Selecção no fim da última etapa.
Após verificar os mantimentos e água da etapa começa o caminho.

As mulheres das comunidades minhotas sempre tiveram um papel activo na sociedade que integravam. Quando os homens partiam para a guerra ou migravam eram elas que que mantinham a família e muitas foram o único sustento das suas casas. Hoje como passado participando do trabalho...







Caminhando...cada um ao seu ritmo.


















O Caminho percorre montes e campos.














Cruzeiros e capelas ladeiam o caminho. Alguns em mau estado.

Velha ponte medieval de um só arco a necessitar de um corte na vegetação.

Ao lado a capela da Sra. das Neves convida a uma pequena paragem para beber ...água.

O fim da etapa a vizinha-se, a ponte que deu nome ao lugar aparece ao longe.
A velha ponte cruza o rio que os romanos chefiados por Decio Brutos Junos temiam ser o mitológico rio Lethes, o rio do esquecimento.
A beleza do lugar era tal que só podia ser igualada pela mitologia. Assim recusavam-se a atravessar com medo de esquecerem todo o passado.

Não tão selvagem como Decio a viu, Ponte Lima é um lugar cheio de História, beleza natural e locais para se perder à mesa (será verdadeira a lenda do rio?). Papas de sarrabulho, rojões e outros petiscos que se perdoam a quem fez 18 km e ainda tem muito para andar...

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