lugares e sensações

segunda-feira, abril 02, 2007

Caminho de Santiago lado Espanhol

Etapa1- Tui- Porrino

Depois de atravessar a ponte internacional, que antes do 25 de Abril de 1974 se atravessava quase sempre para comprar chocolates e caramelos, entramos em Tui.

Hoje a Ponte é apenas a passagem que liga as duas margens. No entanto no passado eram por vezes horas na fila, abria-se a mala dos carros para a polícia controlar o contrabando.

No cimo de um pequeno monte fica a Catedral dominando a pequena, mas simpática cidade.

É na catedral que iniciamos esta etapa. Descemos as escadas de granito seguindo a sinalização do Caminho. Inesperadamente entramos no campo. O caminho calmo e plano passa por entre campos cultivados.
Cruzeiros e bosques

Uma Ponte que não se atravessa

Apenas a cerca de 5Km de Porrino percebemos como somos lentos. Quando passamos de carro em frente da zona industrial de Porrino não percebemos quão longa é. Uma distracção poderá ser contar as filas de carros novos...durante 4 Km.

Pouco depois de deixar a zona industrial entra-se em Porrino e termina a nossa etapa. É hora de comer qualquer coisa... à hora a que chegamos já não havia almoço, mas as tapas serviram perfeitamente e o sabor não sei (?) porquê, era divino.

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quinta-feira, março 15, 2007

Caminho Português de Santiago
Rubiães -Valença

Juntos de novo no grupo principal e com a companheira da última etapa.
A chuva acompanhou-nos toda a etapa mas não nos tirou a vontade de caminhar. Toda a etapa é muito verde e com menos subidas que a anterior.

Mais uma ponte num lugar ídilico...

O caminho é também um desafio...

Faltam umas latas de tinta...

S. Bento, Cossourado

O Caminho tem trechos no meio da natureza...

Na natureza a chuva é natural

Quase no fim da etapa encontramos um peregrino em sentido inverso. Aspecto desleixado, cansado e mochila com ar de muito pesada. Perguntou, arranhando português, quanto demorava a chegar a Rubiães. Olhamos e pensamos que provavelmente não conseguiria chegar. Discutimos entre nós qual seria a sua nacionalidade pelo aspecto, e, todos erramos.
aspecto do caminho

O responsável do nosso grupo aconselhou-o a voltar para trás e dormir no albergue de Valença.
Chegamos a Valença fizemos o piquenique habitual no albergue - chovia que Santiago a dava...
O velho e o novo no Caminho

Voltamos para Viana do Castelo de Camioneta para o Jantar convívio de fim do Lado Português.
Surpresa... o nosso peregrino, cansado e desleixado, por sinal alemão, estava em Viana!

Foi jantar connosco e... veio até ao Porto na camioneta, na nossa camioneta e até se lhe arranjou onde dormir. Quanto à sua fé....bem, estava a pensar ir até ao Algarve.

ponte e respectivo coberto vegetal...

Foi um dia diferente, um encontro diferente, um final diferente e inesperado ...No caminho de Santiago como na vida, nem sempre o que pensamos é verdade, nem sempre o que esperamos acontece, mas a vida é surpreendente por isso mesmo.

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segunda-feira, março 12, 2007

Caminho Santiago

Ponte Lima -Rubiães

Era uma manhã cinzenta.
Céu cinzento

Desde há alguns dias as previsões eram de chuva forte. Parte do grupo adiou a caminhada por receio da tempestade.
Caminhar na chuva

Os compromissos posteriores levaram-nos a manter a data inicial.
Quando começamos a caminhar a chuva começou a cair a cântaros...Os caminhos pareciam riachos. Várias vezes tivemos que caminhar nos campos, fora do caminho, e o Gore-tex das botas provou então ser eficaz.
Mas a chuva limpa o ar e trás-nos o cheiro da terra que nos lembra a infância na aldeia.
Travessia radical sobre o rio labruja

Esta etapa é talvez a mais dura de todo o caminho para a maioria dos peregrinos.

No entanto o facto de levarmos algumas crianças que não costumavam ir connosco e portanto irmos mais devagar associado ao facto de ser outono, altura de vindimas, colhermos uvas aqui e ali, tornou-o numa das etapas mais agradáveis.
As vindimas e a simpatia dos minhotos...
Caminhar, algo de se aprende a gostar...

A chuva foi apenas um encontro com a natureza.

Perceber o mundo com todo o tempo do mundo...

Depois de passar o cimo da Serra da Labruja, o ponto mais alto do Caminho, o caminho é mais suave até à igreja de Rubiães.
Cruz dos mortos. Colocar uma pedra é o que fazem os peregrinos. Terá sido aqui que franceses durante a invasão terão sido perseguidos pelos camponeses da zona.
Igreja românica de Rubiães séc. XII

Igreja de Rubiães

Pórtico da igreja de Rubiães

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sábado, fevereiro 10, 2007

Voltando ao Caminho: Lado Português

Caminho de Santiago

Etapa Barcelos Balugães


O Minho verde e fresco convida-nos a desfrutar os prados, os milheirais e as frondosas ramadas.




Campos de milho

Os caminheiros, nós, não nos limitamos a desfrutar. No início da tarde a selecção nacional (futebol) jogava por isso a caminhada começou cedo e com bom passo.

Trabalho em Família





Capelas, igrejas



e cruzeiros ao longo do caminho




Ás vezes é preciso uma ajudinha


Ciclistas e peões percorrem o Caminho

Perto de Balugães atravessamos a Ponte das Tábuas. Esta é uma ponte romana feita de granito (outrora foi de tábuas) de pedras irregulares num local que convida ao descanso.

Ponte das tábuas


Chegamos a Balugães com tempo para o piquenique, visitar a igreja onde dizem que a virgem apareceu a um mudo, ver o Castro de Carmona e encher um dos cafés da terra para ver a selecção jogar. Satisfeitos com a caminhada melhor ficamos com o resultado do jogo. Os poucos clientes do café devem ter achado estranha aquela avalanche de gente que fervorosamente observava o jogo.


Para a foto é preciso apresentar-se em boa forma






A natureza em Junho




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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

S. Pedro Rates fim e de uma etapa ínicio de outra:




S. Pedro Rates, monumento nacional. Construído em estilo românico.

A igreja actual foi construída no tempo dos Condes D. Henrique e Dona Teresa. Sob o edifício actual existem ruínas provavelmente romanas.











Porta principal de cinco arquivoltas






















Pormenor exterior


















Interior da Igreja

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domingo, janeiro 28, 2007



Lado Português

A primeira etapa decorreu entre Macieira da Maia e S. Pedro de Rates

Estava um tempo óptimo, a Primavera exprimia-se nas flores silvestres e da dificuldade do Caminho não me lembro, o que é um bom sinal.

Caminhando na margem do Rio Ave pensei que estava no Brasil. Pela florestação? Não! O rio era negro e o único que conheço com este nome localiza-se no Brasil. Infelizmente este é bem português, bem negro. Um verdadeiro nojo! Quando é que os nossos empresários, alguns, vão ter vergonha na cara?

Devíamos atravessar a ponte D. Zameiro velha do sec. XI, mas a última derrocada, parece que por obras no açude, mantém -na intransitável.

Aprender a caminhar...aprender a desfrutar.















À frente uma outra ponte medieval chama a nossa atenção, a ponte dos arcos que atravessa o rio Este.



Ponte dos arcos

Terminamos esta etapa em S. Pedro de Rates. A igreja, mais velha que a nacionalidade, sec. IX, foi mandada reconstruir por Dona Teresa e pelo Conde D. Henrique, os pais do único Independentista Ibérico bem sucedido, por sinal, chamado Afonso o Conquistador. A igreja é um exemplar importante do românico português e foi doada à Ordem de Cluny. O seu Padroeiro, S. Pedro de Rates, foi ordenado bispo por Santiago e primeiro bispo de Braga.

O merecido e apetecido piquenique foi no albergue da freguesia que nos recebeu de braços abertos.






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sábado, janeiro 27, 2007

Caminho Santiago
etapa Macieira Maia-S. Pedro de Rates

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Caminho de Santiago

Santiago de Compostela é um local místico. Ao longo de mais de um milénio cristãos de toda a Europa se dirigiram até lá pelas vias hoje conhecidas como Caminhos de Santiago. Independentemente do facto de se acreditar que Santiago jaz sob a Catedral, este lugar tornou-se um símbolo do cristianismo numa Península dividida entre cristãos e muçulmanos.

Desde o ano 814 que peregrinos de reinos cada vez mais distantes caminhavam até Santiago em busca de resposta. O Caminho longo e perigoso foi seguido por gentes pobres, por reis e imperadores. A rainha Santa Isabel de Portugal tê-lo-á feito duas vezes.

Diz um ditado português que quem não vai a Santiago em vida o fará de morto.

A via láctea, facilmente visível fora das cidades nas noites escuras, é ainda conhecida pelo nome de Caminho de Santiago.

Já tinha ido muitas vezes a Santiago, mas nem em sonhos me tinha passado pela cabeça ir a pé. Quando me convidaram para a primeira etapa do Caminho achei que não estavam bem da cabeça para percorrer tal distância.

Mas a descrição posterior despertou a vontade de percorrer o caminho milenar que levava os peregrinos portugueses até Santiago.

Dividimos o Caminho em duas fases com várias etapas, em semanas distintas, por isso foi relativamente fácil chegar.

Pensei algumas vezes nos peregrinos medievais, e mesmo mais tardios, com mau calçado ou mesmo sem ele, ao frio e à chuva. Olhava para as minhas botas confortáveis e concluía: isto parece um passeio de crianças. Outras vezes o calor e por vezes a chuva dificultavam o caminhar mas, fortaleciam-nos a alma, tal como no caminho que é a nossa vida.

O nosso Caminho Português iniciou-se em Macieira passando por Barcelos, S. Pedro Rates, Ponte Lima, Valença, Tuy, Pontevedra, Padron e finalmente Santiago de Compostela.

Fotografia: Ponte medieval ( sobre o rio Ave) de D. Zameiro

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quarta-feira, janeiro 17, 2007


No Caminho, os pés seguem as setas amarelas e os olhos deleitam-se na paisagem.
A presença da água, a frescura do dia, a pureza do ar trás-me à memória:
Sou feliz por ter nascido
No tempo dos homens-rãs
Que descem ao mar profundo
Na frescura das manhãs.
António Gedeão

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domingo, janeiro 14, 2007


O Caminho Português de Santiago tem muitas boas surpresas.
Esta ponte fica no caminho entre Rubiães e Valença. As silvas dão um ar selvagem .... ou de desleixo ao lugar.

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